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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A segunda vez consegue ser melhor

Fanfarrão: adj. e s. m., que ou aquele que alardeia valentia, sem a ter. Acho incrível quando um filme consegue atingir o nosso dia-a-dia. São as pessoas próximas repetindo diariamente frases do filme, colocando as músicas ressucitadas como toque de celular, etc. E o melhor de tudo é que é um filme nacional. Sabem por que a Sony fez a primeira pré-estreia de Homem-Aranha 3 no Japão? Porque as produções japonesas foram as mais lucrativas em 2006 naquele país. Hollywood precisou reverter a situação já que o Japão é o segundo maior mercado do planeta. Imaginem se o Brasil estivesse diretamente nesta rota de imperialismo. Por isso é gratificante quando um título local consegue ser a maior atração, mesmo que temporariamente, e deixar de lado os produtos estrangeiros.

A segunda vez de Tropa de Elite foi ainda melhor que a primeira. É um filmaço que diverte, impressiona e faz refletir. Quando assisti em casa, as cenas de violência e aqueles gritos do Wagner foram mais chocantes. No cinema, já estaria acostumado e acabei percebendo que o filme contém também cenas muito engraçadas como aquela da granada na mão do André Ramiro. Agora eu posso afirmar que Tropa e O Ultimato Bourne são os meus preferidos de 2007. Até irei aumentar a sua nota no final do post. Não que ela seja importante, é apenas um valor simbólico que pode sofrer influências de fatores externos cada vez que você assiste o mesmo filme.

Quando você ler no trailer que a versão do cinema é a verdadeira, saiba que é enganação. Eu nem estava ligando para isso porque iria ver de qualquer jeito. Mas é divertido ver gente se achando no direito de reclamar da versão final por ser a mesma que assistiram em casa. Estima-se que mais de 1 milhão de cópias foram vendidas. 1.278.305 de pessoas já viram nos cinemas. Até que ponto a pirataria vai influenciar o número de espectadores não se sabe. Por enquanto, Tropa vai indo muito bem.

Nota: 9,5

sábado, 22 de setembro de 2007

A Caveira da Pirataria

Acabei de assistir Tropa de Elite, o filme #1 da lista dos mais vendidos nas barraquinhas populares de todo o país. Só para esclarecer, eu nem sei de quem era o disco mas estava a minha disposição e não hesitei. Não me orgulho de já ter assistido até porque irei vê-lo no cinema novamente. Não tenho problema algum em dizer que faço questão de pagar o ingresso e sou cliente assíduo da locadora. Sou colecionador de DVD e só tenho original. Nunca um filme nacional foi "comercializado" antes do seu lançamento e a situação cresceu de tal forma que só vem aumentando sua popularidade. É o filme brasileiro mais polêmico do ano, teve sua primeira exibição oficial na abertura do Festival do Rio e, acredito eu, terá o maior número de espectadores depois de 2 Filhos de Francisco mesmo com a pirataria. É claro que o fato de terem divulgado que a versão pirata não seria a definitiva não vai ser o responsável pelo sucesso do filme porque o resultado final só tem 4 ou 5 minutos a mais. E parece que o desfecho é diferente? Evitei entrar em detalhes. Tropa de Elite (ou Elite Squad como será divulgado internacionalmente, a versão do DVD já vem até com as legendas existentes em inglês) seguirá os mesmos caminhos de Cidade de Deus e Carandiru, ou seja, será sucesso garantido.

Com cenas de violência repulsivas, Tropa mostra a corrupção da polícia militar e o desafio do BOPE contra os traficantes das favelas do Rio de Janeiro. O roteiro está bem estruturado e teve contribuição de Rodrigo Pimentel que já foi capitão do BOPE. Tal posto é assumido pelo Wagner Moura que busca um policial capaz de ocupar o seu cargo ao mesmo tempo que dois aspirantes com linhas de raciocínio distintas iniciam suas atividades. Achei que o José Padilha não conseguiu atingir o ponto perfeito de realismo em todas as cenas. Enquanto alguns momentos são absurdamente realistas principalmente pelo trabalho impressionante do Wagner, outros pecam pela falta deste elemento talvez pela inexperiência do elenco coadjuvante jovem. Coincidentemente, a edição de hoje de um jornal local trouxe em sua matéria de capa uma manchete sobre o abuso de poder do BOPE. Tal questão sobre autoritarismo também é abordada no longa através de uma discussão numa faculdade de Direito que é frequentada por um dos policiais aspirantes. Eu gostei do conflito psicológico ao qual este policial será submetido e da parte em que ele espanca o rapaz no protesto burguês contra a violência. Mas a gente pode pensar que o filme é do ponto de vista da polícia e, de fato, é. Só que ela não sai bem na fita por causa dos acordos com os traficantes e do treinamento humilhante para se tornar um combatente da Caveira, por exemplo.

Tropa tem um apelo para um público de faixa etária bastante variada. Nas cenas de tiroteios, eu só lembrava dos psicóticos de lan house que viram a noite no Counter Strike. O filme é um prato cheio para eles e ainda está recheado de palavrões e torturas. Mal posso esperar para vê-lo novamente na tela grande e espero compreender alguns diálogos que não consegui entender. Parecia outra língua.

Nota: 8,5