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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Onde está Wall-E?

O que resulta recesso escolar mais animação da Pixar – dublada? Uma fila gigantesca formada por famílias inteiras e muita gente sem poder entrar porque a lotação máxima foi atingida. Fui um dos últimos a conseguir entrar na minha sessão e, é lógico, peguei um dos piores lugares. O melhor de tudo é que Wall-E compensou todo o sacrifício. É sério, já estou achando que é a minha animação preferida do estúdio batendo até Procurando Nemo que eu adoro. Gostei muito de Ratatouille no ano passado e ainda preciso rever porque eu estava com a cabeça longe naquele dia. Wall-E não é tão divertido quanto Nemo mas possui elementos que o torna mais marcante e por que não um dos melhores filmes do ano? E este é infinitamente superior ao Robôs da Fox de 2005.

Desta a vez a Pixar avança 700 anos e cria uma realidade em que a humanidade não vive mais na Terra e os robôs são os únicos trabalhadores. O nível de poluição e lixo atinge um nível tão absurdo que é impossível morar no planeta. A população restante vai viver numa nave gigante – de fazer inveja àquela do clássico do Kubrick e naturalmente Also Sprach Zarathustra é tocada em algum momento – que vagará pelo espaço enquanto robôs são deixados na Terra para fazer a limpeza. Nem eles dão conta do trabalho e Wall-E é o único robô “sobrevivente”, tão solitário. Vive colecionando objetos abandonados pelos humanos. Will Smith em Eu Sou A Lenda não está com nada. Enquanto este tinha um cão como companheiro, o robô tinha uma barata. Perfeito, não? Certo dia, um outro robô chamado de Eva é deixado no planeta por uma espécie de nave que, por enquanto, a gente não sabe o que é. Wall-E se apaixonará por ela. Um detalhe é que Eva foi desenhada pelo maior designer da Apple, grande parceira da Pixar. Não é gratuita a aparição de um iPod no filme. Eu gostei de como os sentimentos dados aos robôs não ficaram forçados principalmente por eles se distanciarem da forma física humana. É como criarmos uma relação afetiva com um quadrado. É claro que o quadrado possui algo com função de olhos, por exemplo, mas não passa disto. Está mais relacionado ao seu comportamento. Eu me diverti muito com o robozinho da limpeza.

A gente percebe a grandeza do filme quando os humanos entram em cena. Imagine gerações e gerações que só nascem para comer e dormir. É uma ótima sátira ao avanço tecnológico e ao comodismo exagerado. Infelizmente são duas coisas diretamente proporcionais e querer separá-las não parece estar nos nossos planos.

Eu sou bem pessimista em relação à preservação do meio-ambiente. Eu imagino um futuro cheio de calamidades onde as condições de vida vão se tornando cada vez mais escassas. Mas será que é mais fácil criar um novo ambiente fora da Terra do que reverter o mal já existente? O filme impulsiona estas discussões. Quantas verdades inconvenientes são necessárias para salvar o planeta? Espero mesmo que o público infantil que vá ver Wall-E tenha sua consciência ecológica despertada.

A direção dele ficou com o Andrew Stanton, o mesmo de Procurando Nemo e elogiar o trabalho dos animadores é chover no molhado.

Nota: *****

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Emprego com os dias contados

Assisti A Lenda de Beowulf e nunca cochilei tanto numa sala de cinema. Não sei como mas mesmo assim acabei gostando desta mais nova animação do Robert Zemeckis que usou os mesmos princípios do Expresso Polar. Eu poderia assistir novamente sem problemas e garanto que não é só para pegar o que perdi durante os meus cochilos. Há algumas conclusões que eu tirei por achar que suas dicas estavam implícitas mas se estavam visíveis, apareceram quando fiquei inconsciente. Também posso estar totalmente enganado. Beowulf foi o primeiro poema épico escrito em língua moderna (inglês) que se tem conhecimento e o seu autor é desconhecido. Foi esta a fonte para Tolkien escrever O Senhor dos Anéis. E como a abordagem original é muito mais interessante! Prefiro muito mais a jornada do Beowulf do que a do Aragorn. Analisando o conjunto da obra, é claro que sempre irei preferir os Anéis mas não tem como negar que os dilemas do Beowulf são mais atraentes.

Havia um castelo na Dinamarca 500 d.C. cujo rei (Anthony Hopkins) adorava libertinagem, festas e compartilhava sua riqueza com o povo. O barulho das festas soa mortal para o demônio Grendel, uma criatura que mora num pântano próximo e é tão feio que faz o Gollum parecer modelo da Victoria's Secret. Em cada festa, Grendel invade o castelo e acaba com a vida de meio mundo de gente de forma mais brutal possível. Ao mesmo tempo, é um ser tão frágil quando mostra seus sentimentos a sua mãe. Não suportando mais a situação, o rei decide dar um precioso tesouro para quem acabar com o demônio. A história chega aos ouvidos do guerreiro Beowulf (Ray Winstone de Os Infiltrados e Cold Mountain mas não lembro onde) que vai oferecer seus corajosos serviços ao rei. O nosso guerreiro é tão honrado que só luta de igual para igual com o feioso. Nada de armas... e nada de roupas. Quem é que esperava ficar mais preocupado em ver as partes íntimas do protagonista do que prestar atenção na luta? Foram vários os momentos em que o público suspirou com as várias formas de esconder as partes frontais (bumbum tem a vontade). Foi divertido. Esta atmosfera sexual é bem presente no filme, é um reino que desconhece a palavra moralismo e sexo é tão natural como respirar. Os reis dormem cada noite com uma jovem diferente e tem o John Malkovich que tem preferência pelas belas virgens e não entendi porque ele só fala com uma voz robótica. Só que o Beowulf vai ter sua honra colocada em jogo ao conhecer a mãe de Grendel, a Angelina Jolie nua. Ele não resiste à tentação. É bom ver que ele não é o modelo perfeito de herói que pensávamos que fosse ou o modelo de herói de outras obras. Gostei do clima de incertezas e mentiras que se segue. Gostei também da ausência daqueles longos discursos sobre glória como em 300. Há frases que remetem um filme ao outro como "I am Beowulf" e "This is Sparta" mas não passa disso. A comparação entre eles é inevitável e prefiro Beowulf em todos os sentidos.

Há quem só goste da animação gráfica pelo avanço tecnológico. Eu nunca vi um filme do gênero só para apreciar o trabalho da computação gráfica. Beowulf foi totalmente diferente e deve ser um marco nesta área. Eu ficava o tempo todo olhando como os personagens estavam perfeitos, principalmente em close. É claro que não chegou ainda ao ponto de não sabermos mais quem é real ou CG mas não lembro de ter visto nada parecido. Há de chegar o dia em que os atores não serão mais necessários. Acho até bom porque deve ser tão chato ser um molde e como avaliar o trabalho de um ator desta maneira?

Nota: 7,5

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

"Ninguém gosta dos Simpsons"

Faltando cinco minutos para o início da sessão, só haviam três pessoas na sala. Foi quando entrou um casal com sua filhinha que percebeu o ambiente e soltou: "Ninguém gosta dos Simpsons!". A maioria das pessoas que vai ver Simpsons deve ser como eu, conhece o desenho e seus personagens mas não acompanha assiduamente pela TV. Nem consigo lembrar se já assisti algum episódio completo. Não é que eu não goste, é apenas pela falta de hábito. Assisti recentemente o trecho de um muito engraçado que satirizava a Igreja Católica. Gostei muito do filme. Eu aproveitei este do começo ao fim diferentemente de Ratatouille e é muito melhor do que Shrek Terceiro. As piadas de Simpsons estão colocadas nos lugares perfeitos, é um antiamericanismo divertido que não acaba mais. Brincam com o governo, a polícia, o cidadão alienado... é um humor negro agradável.

O começo por si só já valeu boa parte do ingresso que os otários compraram. Homer pergunta o porquê de pagar por algo que se pode ver de graça. A provocação foi feita (237 torrents no Mininova) e o filme continua com um show do Green Day. O lago de Springfield está tão contaminado que a cidade é posta sob uma cúpula que a isola do restante do país. O Exterminador do Futuro é o presidente dos EUA cuja função é decidir sem pensar. A família Simpson consegue escapar e depois irá retornar para tentar salvar os outros habitantes porque a cidade vai ser destruída pelo governo. Lembrei de Os Incríveis por causa dos problemas familiares abordados intensamente aqui: Bart queria outro pai, Homer e Marge passam por crise conjugal, etc. Os Simpsons também faz referências divertidas a outros filmes incluindo o recente Uma Verdade Incoveniente o que mostra que o trabalho no roteiro iniciado em 2003 prosseguiu com mudanças até em cima da hora. Imagino que uma sequência demore a sair. Há algumas coisas que ficaram sem explicação. O que era aquele bicho de muitos olhos? E qual foi o destino do porquinho de estimação? Esta criatura colocada na história merecia um final pelo menos. Eu sei que existe alguma coisa nos créditos finais. Há uma parte em que uma frase exaltando o futebol brasileiro é dita. Desconfio que sejam os dubladores aprontando. Já ouvi um caso de que na série da TV isto já aconteceu.

Achei curioso ver a garotinha que reclamou da ausência de pessoas assistir um filme com piadas sobre pênis, masturbação e índia de seios grandes. Sem falar que aqui ainda passou o trailer de Primo Basílio. Ela errou ao dizer que ninguém gostava dos Simpsons. A sala se encheu mais em seguida e percebi que todos se divertiram. É recomendável. Um problema de trailer de comédia é que piadas são jogadas antecipadamente. Vi tantas vezes o Porco-Aranha que no produto principal perdeu a graça, ri mais com o Harry Porco.

Vou voltar a colocar títulos nos textos. A outra opção era "1001 maneiras de cobrir a torneirinha do Bart".

Nota: 8,0

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Ratatouille

A cabeça estava um pouco longe quando assisti Ratatouille então não acabei aproveitando quanto eu queria, inclusive dormi em uma parte. Mas acredito ter captado a essência desta animação que é o filme atual mais elogiado pela crítica americana. Ele não é tão comercial, está tendo uma passagem razoável pelas bilheterias e não vai chegar nem perto dos números de Procurando Nemo. Ratatouille e Os Incríveis devem ser as animações mais maduras da Pixar. Antes do filme, um curta bem simpático é exibido. Os ratos só vêm depois. Eu não me diverti tanto quanto outros da platéia mas o saldo do filme é positivo.

A história principal é sobre um ajudante desajeitado e um rato que irão formar uma dupla de cozinheiros de sucesso. Algumas subtramas são desenvolvidas também envolvendo um famoso cozinheiro, um crítico e os parentes do rato principal Remy que é fascinado pela habilidade de cozinhar dos humanos. Há três momentos que eu considero as melhores partes. Uma é quando o rato consegue arrumar uma forma de controlar o jovem ajudante já que humanos e ratos não falam a mesma língua. A segunda parte começou quando meu cochilo acabou. É o ápice do filme, todos aqueles ratos trabalhando na cozinha do restaurante. Quando eles trazem o inspetor da vigilância sanitária amarrado é hilário. E a terceira é a leitura do novo texto do crítico culinário acabando com um "Surpreendam-me" ao som da música de Michael Giacchino (que já compôs para Lost). Por eu não ter estado tão ligado no filme, não me recordo exatamente das frases deste texto. Só lembro naquela hora de ser atingido por aquelas palavras. Vou aguardar o lançamento em DVD para ver de novo.

Todo o filme é bastante sincero e inocente. Faz esquecer que na vida real você odeia as criaturas que estão na tela. Eu não. Já vi gente reclamando que rato é sujo e deve ser exterminado mesmo. Mas de quem é culpa por eles serem assim? De quem é o lixo?

Nota: 8,0