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quarta-feira, 5 de março de 2008

Versão feminina de Ligeiramente Grávidos

Eu achei que fosse gostar bastante de Juno devido ao que aconteceu com Pequena Miss Sunshine em 2006/2007. Eu sabia que eram histórias distintas mas ambos foram distribuídos pela Fox Searchlight Pictures, tiveram um excelente desempenho nas bilheterias, foram um sucesso de críticas, receberam um Oscar pelo roteiro original e ganharam como melhor filme no Independent Spirit Awards. Como sou muito fã de Miss, estive empolgado durante meses por Juno. Pois é, não vi nada de mais nesta história da garota grávida. Não é que eu não tenha gostado de nada, apenas devo esquecer de tudo (exagero?!) nos próximos dias mesmo com aquela música chiclete da abertura. Não me causou nenhum impacto.

Juno (Ellen Page) é uma garota diferente de todas as outras. A gente está cansado disso, não? Acho que a personagem funcionou pelo ótimo trabalho da Ellen (eu nunca lembraria que ela esteve em X-Men). Sua Juno é carismática até a alma e acredito que o sucesso de público do filme foi ocasionado pela atriz. É maravilhoso como ela reflete a inocência e a maturidade nunca única pessoa. Mas não gostei de tudo nela. Certo dia ela resolve transar com seu melhor amigo/namorado (é um relação confusa mas simpática) e fica grávida. O garoto é feito pelo Michael Cera de Superbad. Ah, essa foi mais uma razão para assistir Juno. Estava ansioso para ver qualquer um da dupla de amigos num novo trabalho. Só que o Michael aqui não tem muito o que fazer.

Então Juno percebe que não tem coragem para fazer um aborto e decide ter o bebê para dar a um casal que não pode ter filhos. Jennifer Garner e Jason Bateman (da série Arrested Development) fazem o casal. Não sei se fui eu que não entendi os seus papéis mas eles me incomodaram do começo ao fim por não ter a certeza do porquê eles querem tanto o bebê da Juno. Juro que ainda acho que a Garner poderia ser chefe de uma quadrilha de tráfico de crianças. Não dá para entender se o que eles falam é verdade. Eu não confiaria nunca neles.

Não entendo porque todo este alarde em relação a Diablo Cody, ex-stripper que escreve um roteiro e ganha um Oscar. Qual é o problema em ter trabalhado (ou trabalhar) com sexo? Eu acho a Bruna Surfistinha inteligentíssima. Desde quando esta atividade é falta de inteligência por assim dizer? Aí eu me pergunto também se a Diablo foi premiada pela Academia porque sua protagonista desiste de um aborto. O prêmio de roteiro original era dela antes mesmo do anúncio mas parece que Juno dura mais de três horas.

Se eu tiver que destacar mais alguém do elenco além da Ellen, eles devem ser o J.K. Simmons, pai, e a Allison Janney (único trabalho no cinema em 2007 foi Hairspray), madrasta, da Juno. Gostei de como eles reagiram à gravidez dela e do ambiente familiar “esquerdista”. A cena em que eu mais entendi a Juno é quando ela brinca com um carrinho sobre o seu barrigão. Aparentemente é uma cena comum mas eu a classificaria como definitiva.

Eu defendo Juno (direção do Jason Reitman do ótimo Obrigado Por Fumar) apenas como um filme despretensioso e até divertido. Querer elevá-lo a um certo patamar de glorificação é exagero.

Nota: ***

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A culpa é sempre do seu superior

Eu nunca parei para pensar quem seriam os meus diretores preferidos. Alguns nomes vieram à tona agora e considerando somente aqueles que estão em atividade, o dinamarquês Lars von Trier é um deles. Fui assistir a sua comédia O Grande Chefe que foi feita sem pretensão nenhuma como o próprio diretor narra durante o filme. É como se um dia ele tivesse acordado sem nada para fazer e quisesse bolar algo que não costuma fazer: comédias. Chefe é mais experimental também porque o diretor deixa de lado regras do movimento Dogma 95 e chega a usar uma técnica em que os movimentos das câmeras são controlados por computadores sem intervenção humana. Eu prefiro o LvT usando a câmera na mão e escrevendo sobre a sociedade americana (Dançando No Escuro, Dogville e Manderlay), é o que ele sabe fazer melhor. Eu saí com uma ótima impressão da "brincadeira", até porque vi numa sessão de arte (só assim para este tipo de filme) mas por uma questão pessoal, não é o meu tipo de humor preferido. Mas como é do LvT, eu respeitei quando um crítico o colocou em sua lista dos 10 melhores do ano.

O chefe de uma empresa a comanda recebendo as ordens de um fictício chefe maior. Quando ele decide vendê-la, o comprador exige conhecer o tal todo poderoso então um ator é contratado para exercer o papel. Logo ele vai descobrir que já tem uma imagem entre os funcionários. O Lars quis proporcionar uma reflexão sobre as relações interpessoais num ambiente coorporativo através de uma abordagem mais escrachada. Eu me identifiquei com a cena final do discurso de despedida porque a gente sabe que não é tão diferente na vida real mesmo que pareça absurda no filme. Eu presencei um momento parecido há pouco tempo. Algumas situações funcionaram porque o público se envolveu. Houveram outras em que ninguém reagia como o diretor esperava e o silêncio desconfortante dominava. A edição despreocupada com a continuidade pode parecer um estilo cult mas acho que neste caso não faz ninguém apreciar mais o filme. Uns dois ou três personagens me pareceram desnecessários. Gostei das cenas com a mocinha do RH e com a outra que recebe a proposta de casamento por email.

O Grande Chefe é o meu filme menos preferido do Lars von Trier por enquanto e mesmo assim está muito acima da média das outras opções atuais por aqui. Finalmente Wasington já foi confirmado para 2009. A temática de Chefe me lembrou outro filme chamado O Que Você Faria? (produção entre Espanha, Argentina e Itália) que deve ser o meu preferido sobre os ambientes empresariais. Este ano eu vi também um filme chamado Querida Wendy e perto do final fiquei pensando como tinha a cara do LvT. Para a minha surpresa, quando os créditos finais subiram, adivinhem quem era o roteirista!

Nota: 7,0

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Supergreat

Não esperava assistir Superbad - É Hoje tão cedo porque Ligeiramente Grávidos demorou semanas para chegar aqui. Então fui ver a nova comédia da Apatow Productions (dirigida pelo Greg Mottola de séries de TV) sem sequer ter visto o trailer. Embora eu goste de ver trailers, vale a pena não assistir o de Superbad. Quando cheguei em casa já sentindo falta do filme e rindo ao relembrar algumas cenas, dei uma olhada no trailer no youtube e duas das minhas piadas preferidas estavam lá. Não sou um especialista em comédias adolescentes, até porque é um gênero que não tem atrativos. Mas eu sabia que Superbad seria diferente. É só olhar quem são os responsáveis e ler uns comentários por aí que você vai vê-lo com as melhores expectativas possíveis. E o lado negativo disto é que você pode criar falsas esperanças. Eu adorei de verdade o filme, só queria que fosse mais hilário do que já é.

Seth Rogen e Evan Goldberg escreveram o roteiro (até que ponto é autobiográfico?) e emprestaram seus nomes aos protagonistas da história sobre estes dois amigos inseparáveis que procuram a última chance para se tornarem experientes sexualmente antes de chegarem à uma faculdade. Jonah Hill (Ligeiramente Grávidos) e Michael Cera (da série Arrested Development) fazem os dois amigos e eles conseguem transmitir tamanha sensibilidade com suas atuações que tornam seus personagens verdadeiramente humanos mesmo com os seus diálogos escrachados. É justamente esta falta de pudor (falei isto para Grávidos também) e a sinceridade que inovam o gênero e o torna superior ao seu semelhante American Pie que eu nunca tive disposição para encarar por completo. Lembro de ter assistido parte do primeiro da série há alguns anos em um quarto de hotel. Superbad não é engraçado de forma constante mas é exageradamente hilário em pontos isolados. Deve ser pela falta de experiência do Seth e do Evan para escrever roteiros cinematográficos já que ambos escreviam apenas para a TV.

Christopher Mintz-Plasse, que fez seu primeiro trabalho como ator aqui, é o amigo nerd-retardado da dupla. E não demora para você entrar em seu mundo. A cena em que ele apresenta a sua carteira falsa para conseguir bebida alcoólica é uma das minhas preferidas. Uma pesquisa no Google sobre "McLovin" só retorna resultados sobre o Superbad. A partir de um certo momento, o filme segue duas subtramas. Uma delas é o McLovin com os dois policiais. Seth Rogen faz um dos tiras. Uma outra das minhas cenas preferidas é o interrogatório que os dois policiais fazem à moça da loja. Uma parte dela está no trailer.

O título Superbad faz referência ao fracasso dos garotos na tal última chance antes de acabarem o "High School". Era de se esperar o fracasso durante as quase duas horas do filme que também aborda o final da adolescência e a nova etapa na vida de cada um. É um assunto assustador e tão deprimente. Este é o clima do final. É um ótimo contraste de emoções. Você passa o filme todo descontraído para receber uma pancada no final. Senti algo parecido em E Sua Mãe Também quando Gael e Diego se cruzam pela última vez. A parte em que o Jonah e o Michael encenam todo aquele romance deitados é tocante. Eu confesso que queria rir mas não deveria. Fiquei confuso naquele momento. Felizmente não precisei ouvir ninguém murmurar "Huummmmm".

Estou morrendo de vontade de comentar as outras piadas que me fizeram rir. Mas é melhor provar esta comédia como eu fiz. Você aproveita muito mais. Rir sem vergonha alguma. Torço para que este jovem elenco faça muito sucesso ainda e tenha cuidado com os projetos que aparecerem. Eles não merecem ter o mesmo estilo de vida que o elenco do High School Musical.

Nota: 8,5

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Os perigos de uma promoção no trabalho

Até que O Virgem de 40 Anos não é ruim e a mais recente comédia do Judd Apatow segue o mesmo estilo. Gostei um pouco mais de Ligeiramente Grávidos. Acho interessante como o Apatow consegue dar um tom mais maduro, talvez pela ausência de pudor, na abordagem de assuntos como virgindade e gravidez que eu não normalmente não veria a mínima graça. É claro que o filme está cheio de baboseiras atráves do humor físico mas gostei de algumas delas como o Paul Rudd imitando o Robert De Niro. São os personages e suas transformações que fazem o filme valer a pena. Saí da sessão me identificando com alguns que nem gostava no começo e convencido de que a história não contém nenhuma situação exagerada.

Seth Rogen e Katherine Heigl (Grey's Anatomy) protagonizam este. Seth faz um rapaz de vida simples e fácil (seria injusto chamá-lo de vagabundo) e a Katherine acaba de ser promovida e irá apresentar o E! News Live. Os dois se conhecem numa boate, se empolgam e fazem tudo o que têm direito naquela noite. Cada um segue seu caminho depois. Oito meses depois, ela descobre... isso mesmo. A partir daí, iremos entrar na jornada dos pais de primeira viagem até o dia do nascimento. O filme não é somente comédia - ainda bem porque ele não é tão engraçado como pretende ser. Há momentos tão ternos. A cena em que o Seth pede a Heigl em casamento é de uma sinceridade incrível por mais estúpido que ele tenha parecido antes. O roteiro é muito longo, chega uma hora que cansa mesmo mas a gente sabe que o grande momento vai compensar. Lê-se "o grande momento" como "parto". É o momento que faz a gente repensar tudo o que assistiu e aceitar como duas pessoas tão diferentes podem viver juntas. É quando o casal da história esquece as desavenças. Porque antes de ficarem juntos, tem que haver a separação. As melhores piadas são as verbais mas não lembro de nenhuma que tenha sido marcante. Acho que vale citar quando o Seth brinca com as filhas da irmã da Katherine e as duas comentam como ele parece tratar as meninas como cachorros.

Eu descobri há uns meses que o primeiro trabalho no cinema da Katherine Heigl foi um filme que ela fez com 14 anos chamado Meu Pai Herói e era a filha do Gérard Depardieu. Foi curioso porque já tinha assistido no SBT, eu acho. É um em que ela inventa que o seu pai é o seu amante num hotel onde estão de férias. Eu gosto quando uma equipe que faz um filme se junta para fazer outros. O Seth fez um papel coadjuvante no Virgem, virou protagonista em Grávidos cujo um dos amigos virou protagonista de Superbad que é produzido pelo Apatow e escrito pelo próprio Seth. Estão fazendo uma revolução neste gênero de comédia. Será que podemos acusar o Apatow de nepotismo? Pois ele colocar toda a família para trabalhar em seus filmes.

Nota: 7,5