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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Estrela sem brilho

Eu nem iria ver Stardust - O Mistério da Estrela porque só entrou uma cópia dublada. Mas como um colega disse que gostou e a sua namorada queria até ver de novo... Não vou dizer que achei um completo desastre porque gostei, pelo menos, da amarração entre os elementos da história baseada na graphic novel do Neil Gaiman que deve ser mais interessante do que a adaptação cinematográfica. Mesmo assim Stardust definitivamente não é para mim. Eu gosto de fantasias mas esta história da estrela cadante abusou muito da minha boa vontade e nem serve como uma grande aventura escapista. O romance é representado em diálogos enfadonhos onde o mocinho Tristan (Charlie Cox) diz que é capaz de atravessar o oceano parar pegar uma estrela cadente (Claire Danes) e assim provar seu amor pela bela amada (Sienna Miller). Stardust é despretensioso porque não tem batalhas grandiosas ou efeitos especiais alucinantes. E Matthew Vaughn dirigiu muito convencionalmente e com movimentos de câmera já manjados nos filmes do gênero.

A tal estrela vai ser perseguida por algumas pessoas, cada uma tendo sua razão. Já falei o motivo do Tristan. A Michelle Pfeiffer, uma bruxa velha, vai atrás pela juventude e os filhos do Rei (Peter O'Toole) de Stormhold vão pela disputa pois quem pegar a estrela será o novo rei. Tirando umas boas revelações do final, você sabe o destino dos personagens desde o começo então é só esperar o tempo passar para suas suspeitas se confirmarem. E como demorou para passar! Foram 130 minutos intermináveis. A primeira metade foi a pior parte porque é somente depois que surge o Robert De Niro, o salvador de Stardust com o seu Capitão Shakespeare. A mudança de clima que ele provoca é tão revigorante. Foi o antídoto para o sonífero. Embora o filme todo tenha um humor peculiar, só o De Niro me fez rir de verdade. A Michelle é quem se destaca depois dele, mesmo assim com um trabalho regular. Li um trecho de uma crítica em que o rapaz dizia que ela estava deliciosa. Acho, às vezes, que a dublagem pode interferir. Nunca esqueço da voz jovial do Anthony Hopkins num Silêncio dos Inocentes que assisti na TNT.

É mais fácil assistir um filme que começa ruim e melhora ou um que começa bom e piora? Eu prefiro a primeira opção que é o caso de Stardust. Quando digo que melhora, quero dizer que se torna mais assistível. Tem uma luta muito estranha onde o Tristan luta com um morto controlado via boneco pela bruxa da Pfeiffer (aprendi que a denominação "Vodu" para isto é invenção dos antigos filmes de terror). Normalmente muitas idéias do que vou escrever surgem durante o momento em que estou assistindo o filme. Com Stardust, esqueci quase tudo quando cheguei em casa. Queria comentar algumas frases mas não lembro. Fim.

Nota: 6,0

sábado, 10 de novembro de 2007

Excesso de fofura pode fazer mal à saude

Eu fiquei tão fascinado pelo trailer de Hairspray que perdi as contas de quantas vezes já assisti. Ele emanava uma ternura tão irresistível que mal pude esperar pelo dia em que iria vê-lo por completo. E tem que ter muita coragem para esperar um filme com a Amanda Bynes e o Zac Efron. O elenco todo é curioso mas quem rouba todas as atenções é a novata Nikki Blonsky que é um exagero de fofura, no bom sentido. A temática de Hairspray é universal, é aquela história de nunca desistir dos seus sonhos e lutar por direitos iguais. Não é tão "feel good movie" como Pequena Miss Sunshine, por exemplo, mas não deixa de levantar seu astral e não acho que ninguém vai acordar amanhã e sair alimentando os ratos da sua cidade. Spray de Cabelo deve ser o musical mais contagiante que já assisti. É uma avalanche de cores, penteados e energia. Vontade de levantar nos números e assistir dançando não faltou.

Baltimore. Década de 60. Tracy (Blonsky), filha da versão feminina do John Travolta com o Christopher Walken, sonha em participar de um programa de dança da TV local cujo lema é algo como "Falte a escola e venha fazer uma audição". Michelle Pfeiffer é a mãe racista de uma das dançarinas do programa e vai acabar com o do Dia dos Negros, a única chance no mês em que os jovens do centro da cidade - coordenados pela Queen Latifah - têm para se apresentar. Tracy será dispensada por ser gordinha mas em outra oportunidade conseguirá ser a estrela do programa. Esta é a primeira hora do filme que achei bem superior à segunda. É igual ao Dreamgirls, depois de um momento cansa e precisa ter um número final que compense. No caso de Hairspray, a compensação vem faltando alguma coisa. A divulgação da vencedora do Miss Teenage Hairspray é tão anticlimática mas não deixa de ser o grande momento do filme.

Amanda Bynes com seu pirulito está como sempre, isto é, péssima. Zac Efron, que só deve ter sido liberado pela Disney por seu papel não comprometer a imagem do astro, está mais ou menos assim como a Michelle Pfeiffer. O James Marsden (o Ciclope de X-Men) faz parte do grupo dos que estão ótimos. O Travolta está tão caracterizado que você esquece que o papel está sendo feito por um homem. No entanto, suas partes divertidas só funcionam justamente porque ele está transvestido. Nikki Blonsky é o grande brilho do filme. Suas performances são tão contagiantes que quando ela não está em cena, o filme perde muito. É bastante tocante quando ela vai à escola em cima do caminho de lixo no seu primeiro número musical. A Queen Latifah já é veterana neste gênero. Tem uma piada engraçada quando ela fala que sua casa parece os subúrbios por causa da quantidade de brancos.

Mas será mesmo que Hairspray serve como incentivo para aqueles que são "diferentes" e sonham com a fama? Eu consigo enxergar também este excesso de gostosura como um mundo tão distante que é inalcançável. O mundo em que você será a quantidade de spray que usa. Há uma parte em que o Christopher Walken fala algo assim "This is America, you gotta think big to be big". É nessas horas que a gente percebe que o musical é feito de americano para americano. Primeiro, usam o nome do continente para se referir à nação. Mas isto é tão comum que a gente nem liga, está nos noticiários, em todos os lugares e você não ouve a Inglaterra ou a França dizendo "Eu sou a Europa". Segundo, a frase deixa a entender que o sucesso só pode ser atingido na América (=EUA), a terra das oportunidades.

Esquecendo estes devaneios, Hairspray é delicioso e mostra que todos podem ver a luz no fim do túnel. Não é filme de auto-ajuda. A indicação ao Globo de Ouro para comédia ou musical já é certa, não? Ah, não é assustador que o filme seja dirigido pelo Adam Shankman de Um Amor Para Recordar? E por uma tremenda coincidência, antes de Hairspray, vi Hair, o musical de 1979, o belíssimo hino pacifista. Entre os dois, fico com os hippies.

Nota: 8,0

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Extreme Makeover: Reconstruindo a Mãe-Natureza

Sem pensar duas vezes, Nunca É Tarde Para Amar foi a pior coisa que presenciei numa sala de cinema em 2007 até agora. E acabei de descobrir que a estréia americana e em outros grandes países ainda não aconteceu. É por isso que o seu título original I Could Never Be Your Woman era tão estranho para mim. Fui ver o que os críticos acharam desta coisa mas só há dois míseros registros no RottenTomatoes. Só tomei conhecimento de sua existência há quatro semanas quando estreou em primeiro lugar aqui no Brasil. Deve ter sido a primeira vez que eu não conhecia o campeão tupiniquim de público no fim de semana. É uma comédia romântica com a Michelle Pfeiffer e o Paul Rudd que também estava no meu último filme Ligeiramente Grávidos. A Michelle é o rosto mais presente nas salas nacionais já que participa de três filmes atualmente em cartaz. Os outros dois são Hairspray (quero muito assistir mas não entrou na cidade ainda) e Stardust.

Como o próprio nome diz, nunca é tarde para amar porque a Michelle faz uma quarentona que está solteira há 10 anos e irá redescobrir o amor com um rapaz mais jovem. Ela também conversa com a Mãe-Natureza! Sim, é uma espécie de diabinha que tenta convencê-la de que está muito velha para fazer certas coisas e deve se concentrar apenas na filha que é sua versão mais jovem. A Mãe-Natureza prega a expurgação do mal do planeta, isto é, a eliminação dos humanos de mais idade para que os seus descendentes jovens possam trazer a paz. O filme discute o culto à beleza - sem a Cher - então você vai ouvir muito peelings e liftings. E também paródias que fazem críticas a Paris, Nicole, Lindsay, Bush... Hã? Realmente é uma comédia romântica que se tornou uma bagunça. Não é só pegar uma música da Alanis Morissette, mudar a letra e achar que fez uma crítica maneira ao presidente americano. Você tem que mostrar autenticidade e originalidade senão vai cair em clichês que é o que acontece neste filme da Amy Heckerling (As Patricinhas de Beverly Hills). Quantos artistas já não fizeram isto? O Green Day (ou "Dia Verde" como a legenda colocou) fez um ótimo trabalho em 2004 mas eles não foram os primeiros e nem serão os últimos. Eles tinham um diferencial.

Acho que este gênero deve ser apenas descontraído, não? O verdadeiro lado da comédia romântica tenta ser reforçado pela química entre o Paul e a Michelle que não é tão forte e pela filha dela que já não quer mais brincar com as barbies. O Paul é a graça do casal e possivelmente a do filme todo. O roteiro é tão ruinzinho. As situações são ao acaso e parecem não levar a lugar algum. Há tantas coisas batidas. O casal faz guerra de comida, os dois pulam na cama, armam para eles se separarem e tem o evento musical no final que não poderia faltar. O momento mais simpático é a simples resolução do mal entendido com a foto da outra no celular do Paul. Esta é a primeira tentativa de acabarem com o romance que felizmente não deu certo e isto dá um gás na história. A segunda tentativa funciona. É o tipo de produção em que os erros de gravação são mais divertidos.

Nota: 3,0