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sábado, 12 de julho de 2008

Fim do Shayamalan?

Fui contra a maré e aprovei o mais recente Shayamalan. A sacada é encará-lo como uma divertida sátira aos filmes de catástrofe que tentam analisar profundamente seus personagens mas sem êxito. As atuações em Fim dos Tempos são medíocres, os dialógos toscos e alguns acontecimentos absurdos. Não acredito como muita gente levou isto a sério e odiou o filme. Apesar de tudo, o Shayamalan não faria algo tão ruim sem deixá-lo aberto a outras interpretações. Não vou opinar sobre A Dama na Água porque não vi. É como assistir A Vila e querer que ele seja um terror, não vai funcionar. Esperar que Fim dos Tempos tenha um final surpreendente é a mesma coisa. O barato é se divertir com as caras ridículas do Mark Wahlberg. Por favor, ele é um excelente ator. Nem o pior diretor do mundo seria capaz de dirigi-lo tão mal. O que gosto no M. Night, além de ser um diretor autoral, é que depois de O Sexto Sentido, todos os seus filmes foram encarados como um evento independente de você gostar dele ou não. Quem não gosta vai lá ver só para falar mal. Ele consegue ser assunto. O roteiro foi escrito durante o auge do documentário do Al Gore logo este é o mais ecológico e fica fácil de adivinhar quem é o vilão da história. As pessoas de uma cidade começam a agir de forma estranha até que cometem suicídio. Suspeita-se que um ataque químico esteja acontecendo. É hora de abandonar a cidade! O Mark Wahlberg é um professor que foge com a esposa e um amigo também professor com sua filha. O casamento não vai nada bem. Já percebeu que vai rolar discussões sobre o relacionamento nos momentos mais inapropriados. Adorei uma parte em que eles encontram do nada um rádio pendurado numa cerca de uma fazenda durante a fulga e usam para saber das notícias sobre o ataque. Totalmente sem noção. O elenco de apoio de civis também em fulga é um show a parte. Nem dá para decidir quem faz a melhor expressão de medo. Há um diálogo impagável do Mark com a esposa em que ele começa a contar sobre uma moça que deu bola para ele, história para fazer ciúmes. O texto é tão ridículo e inacreditável que só me resta pensar que tudo no filme é ruim intencionalmente. E nem é preciso dizer que eles irão redescobrir o amor no momento de maior perigo. Não é o que acontece sempre? O suspense característico do Shayamalan está lá mas desta vez parece que ele está parodiando a si próprio o que se encaixa naturalmente. Uma coisa é certa, assim como A Vila, Fim dos Tempos não é vendido da forma que ele deve ser visto.

Nota: ****

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Que lenda?

A lenda do título é referência ao filme do Will Smith e não ao do Nicolas Cage. Aliás, este último é a continuação de uma primeira parte que nunca ouvi falar. É um horror em quase dois meses só ter ido assistir três filmes. As opções aqui estão péssimas. Há um ano atrás, foi a vez de À Procura da Felicidade que não achei lá essas coisas. Agora o astro de início de ano vem com Eu Sou A Lenda que achei bem pior. Nunca assisti muita coisa do Will Smith, seus quatro últimos vi com certeza. Por enquanto, ele fica me devendo. A premissa deste mais novo parece interessante. O ator sozinho em uma Big Apple abandonada. Isto daria um filme bastante profundo mas Lenda não passa de um filme de luta com monstros (vampiros mais modernos) que não param de rugir quando encontram o Will.

Um vírus que prometia ser a cura do câncer causa a morte de 99% da população mundial. Will faz um cientista imune (não lembro o porquê) ao vírus e pesquisa a cura enquanto tem Nova Iorque aos seus pés. Os humanos infectados ficam raivosos e sensíveis à luz (por que uns morrem e outros viram monstros? Não prestei atenção). Enquanto ele tinha o filho como parceiro em Felicidade, agora o garoto cedeu a vez a um cachorro pastor-alemão. Lembrei até da cena do Will com o filho no banheiro do metrô quando apareceu ele agora com o seu cão numa banheira. Lenda falha em tentar mostrar o cotidiano do protagonista. Como gastar o tempo do filme só tendo um ator para dirigir na maior parte? Tem o Will se exercitando, dando banho no cachorro, conversando com manequins... Achei mais interessante ficar pensando se eu fosse o último sobrevivente do planeta (sem monstros). Preencheram o tempo com alguns flashbacks mas eu colocaria tudo como um prólogo. E eu nem achei os ângulos escolhidos pelo Francis Lawrence (Constantine) para mostrar NY vazia tão deslumbrantes. Mas gostei do Will jogando golfe em cima da asa do avião.

Há momentos bem irritantes. O maior deles é o “Damn it, Fred!!”. Fred é um manequim que o Will encontra e discute achando que é um humano. Depois ele manda bala no boneco. Dá para entender que viver naquela situação o individuo pode enlouquecer mas que é irritante ver o Will gritando com um boneco, isto é. Ele chega a conversar com outros manequins numa locadora mas esta cena é simpática. Todas aparições dos monstros são brochantes. Eles nem são assustadores. Acontece que há umas partes em que eles entram em cena de repente e os efeitos sonoros aumentam. São os típicos sustos de suspense meia boca.

Alice Braga surge depois da metade do filme como uma sobrevivente que ouve a transmissão que o Will envia todos os dias na esperança de alguém captar. Coitada. É triste só ser lembrada pelo papel de alguém que nunca ouviu falar do Bob Marley. É uma cena constrangedora. Tal capacidade de não conhecer o Bob se sobressai ao papel importantíssimo da atriz no desfecho da história. Lamentável.

Nota: **

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

David Morse como vizinho? Deus me livre!

Por alguma razão que eu não mais lembro, fiquei com vontade de assistir Paranóia na época em que ele estreou nos Estados Unidos há uns meses. Quando finalmente entrou nos cinemas daqui, onde foi parar meu interesse? É sério, só fui ver mesmo por "obrigação". Devo ter me empolgado porque ele recebeu críticas favoráveis e diziam que era protagonizado por um jovem astro em ascensão que eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Shia LaBeouf. Só que Transformers, cujo trailer eu odiava cada vez mais que passava, chegou antes no país e também tinha o tal do LaBeouf. Minha implicação com ele começou por aí. Descobri agora que sua carreira um pouco discreta até então já vai fazer dez anos e ganhou um prêmio em Sundance no ano passado. Iremos vê-lo bastante ainda. Indiana Jones em andamento, não é?

Então fui assistir a Paranóia do LaBeouf sem esperar nada. E ainda bem! Assim foi mais fácil suportar o primeiro terço do filme que eu odiei pra valer. Não quis acreditar que teria que ver drama adolescente antes. O suspense demoraria a vir. O Shia é o típico adolescente descolado americano e usa camisa dos Ramones com a cueca aparecendo. O filme começa com ele e seu pai numa pescaria, aquele blá blá blá para se divertir e conversar certos assuntos sem a presença da mãe (Carrie-Anne Moss). Eles se envolvem num acidente na volta para casa e o pai morre. O Shia ainda está arrasado um ano depois. Ele nem consegue prestar atenção nas aulas de espanhol e o seu professor acaba fazendo um piadinha. Shia dá um soco nele e irá passar três meses em prisão domiciliar com um localizador GPS no tornozelo que o impede de sair de casa. A mãe cancela as contas dele do X-Box e do iTunes e ainda corta o cabo da TV para ficar sem pornografia. O que fazer agora? Exercer seu voyerismo, ué, e melhor ainda, com a nova vizinha loira gostosa. Observá-la nadando na piscina, fazendo alongamentos... o que há de melhor? Sem contar que o Shia é um bom camarada porque vai dividir a visão da loira com seu amigo tarado japonês que vem visitá-lo. A garota ficará amiga da dupla e os três começarão a observar um vizinho que acham ser o responsável pelo desaparecimento de mulheres.

Começou o suspense. E mesmo assim é aquele estilo desgastado. Em um momento a música vai aumentando, algo terrível vai acontecer, o público vai se assustar. Ah, alarme falso. Mas ainda tomei dois grandes sustos. Um foi quando a Carrie-Anne aparece atrás do Shia. Mas como o filme não mete medo, dez segundos depois eu estava rindo por causa do susto. O melhor momento foi quando a câmera se aproximou do vizinho suspeito revelando que era o David Morse!! Eu, pelo menos, só percebi que era ele neste momento. Havia uma comunidade no orkut de pessoas que morriam de medo dele e a descrição era muito divertida. Tá, o David dá medo no filme mas é só ele. O segundo grande susto que tomei foi justamente quando ele apareceu na frente do carro da vizinha loira no estacionamento do supermercado. O clímax acontece numa casa escura com o Shia andando devagar, investigando o lugar, abrindo passagens secretas. Há relâmpagos do lado de fora. A gente sabe o que vai acontecer. Não digo que é filme de Sessão da Tarde porque tem um dedo no final mas é de Tela Quente. E, é claro, o protagonista pega a vizinha no final. Eu gostei quando ele explica porque observa os vizinhos dizendo que é para entender a vida, etc. Pensando melhor depois, vi que ele é um grande mentiroso. O que é que se tem para entender vendo a moça nadando na piscina, hein? O único momento em que me identifiquei com ele foi quando a garota ameaçou jogar o iPod dele na piscina e ele disse que iria perder 60 GB de sua vida. E falando em tecnologia, foi a primeira vez que vi o YouTube sendo mencionado no cinema. Paranóia não funciona como drama e nem comédia. E ainda insiste em tirar sua atenção com aqueles microfones que não param de aparecer no topo da tela.

David Morse é o destaque do filme. Foi a primeira vez que vi o LaBeouf atuando e achei que fez bem o que tinha que fazer. É um papel que qualquer um de American Pie faria sem problemas. Vamos esperar para algo mais sério no futuro o que deve demorar. Sem maldade, é impressão minha ou a Carrie-Anne não entraria mais nas roupas de látex da Trinity?

Nota: 6,0